O atrevimento dos pardaizinhos
Publicado em 31. out, 2009 por Rev. Giuliano Coccaro em Boletim, Reflexão
Passei os últimos dias mergulhado nas reflexões bíblicas, num mundo à parte, idílico, quase utópico. O ambiente acadêmico, notório pela erudição, revelou-se propício também à aprendizagem em singelos momentos.
Em um deles, deliciei-me com a epopéia de dois pardaizinhos. Apareceram à porta, ao chão, pararam, olharam e discutiram acaloradamente, em bom passarinhês, provavelmente sobre a viabilidade de uma incursão em território humano.
Não consegui chegar a uma conclusão se acordaram dividir tarefas (vigilância e reconhecimento de terreno) ou se discordaram quanto à segurança da missão. Fato é que um entrou, em pequenos pulos, enquanto outro se postou à porta, chilreando insistentemente.
Por fim, talvez seguros quanto à ausência de perigo, vasculharam toda a sala, apanharam migalhas e com a mesma algaravia da chegada e se foram.
Com o silêncio restaurado, a brisa tranqüila fez fundo à voz do Mestre: “Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves?” (Mateus 6:26).
Permaneci inerte, pensando nos meus medos, angústias, frustrações e ansiedades, que pouco antes haviam sido pedagogicamente confrontados pela Palavra de Deus, e relacionando-os à audácia dos pardaizinhos.
Como se atrevem a não ter preocupações? Como se atrevem a viver sustentados “meramente pelo Pai”? Como se atrevem a correr riscos, mesmo que numa pacata sala de aula? Como se atrevem a ser tão ‘desumanos’, sem qualquer ansiedade?
Pensando bem, melhor seria dizer: como nos atrevemos a não lembrar do nosso valor? Como nos atrevemos a não assumir com ousadia um relacionamento de dependência profunda com o nosso Deus? (Efésios 3:12) Como nos atrevemos a viver obscurecidos por uma ansiedade crônica? Como nos atrevemos a deixar o Reino de Deus e a sua justiça em segundo plano?
Os pardaizinhos permanecerão em minha mente, ensinando a viver cada dia pela graça e em confiança de que nosso Criador e Salvador tem cuidado de nós.
