Nada falta nos braços do Pai
Publicado em 28. fev, 2009 por Rev. Giuliano Coccaro em Boletim, Reflexão
Definitivamente, entendo o salmo 23 como a afirmação do consolo na constatação da dor. Embora pareçam excludentes, ambos, dor e consolo, lado a lado evocam o verdadeiro sentido da expressão “nada me faltará”.
Na segunda-feira à noite tivemos um breve apagão no acampamento (rápido e insignificante quando mensurado pelas bênçãos espirituais derramadas, pelo local privilegiado que é o Vale dos Cedros, pela comunhão e organização impecável). No exato momento do blackout, eu estava com minha filha Raquel em meus braços. Repentina escuridão e consequente alvoroço foram suficientes pra ela abrir o berreiro! Foram apenas alguns minutinhos de choro insistente. O que, sinceramente, me deixou irritado com a situação após sucessivas tentativas de acalmá-la.
Levei-a para um lugar onde poderia dizer firmemente a uma criança de 10 meses assustada pela penumbra (claro, sem perder a compostura na frente dos irmãos): chega de manha, agora! Porém, ao chegar no cantinho isolado me senti péssimo. Enxerguei-me na Raquel. Entendi que eu sou parecido com ela e que, felizmente, Deus é diferente de mim. Depois da vergonha, a única atitude que tive foi a de abraçá-la bem forte e lhe dizer: filha, papai te ama muito. Não precisa ter medo.
Somos assim. Iguais a Raquel. Muitas vezes surpreendidos pela repentina escuridão. Nossa atitude, à sua semelhança, é a de chorar copiosamente, seja pelo pavor de ficar só, pela insegurança do que está por vir ou até mesmo pelo desconhecimento do significado daquela situação que foge ao nosso controle. Choramos desesperadamente porque olhamos a vida com a perspectiva de uma criança.
Saiba, no entanto, que mesmo na dor, você está nos braços do Pai. É Ele quem segura bem forte a sua mão e lhe diz pacientemente: Não temas, Eu estou contigo, Papai te ama, não se preocupe, pois tudo terminará bem, a mesa da celebração da tua vitória está sendo cuidadosamente preparada. Não é magnífico saber disso?
Esse é o significado do primeiro versículo do Salmo 23: viver a experiência de ser carregado em direção à luz nos braços do Bom Pastor mesmo que aos prantos por causa do temor do vale da sombra da morte. Assim, nada falta, porque Ele é tudo.
