Monólogo de um cansado pai moderno

Monólogo de um cansado pai moderno

Publicado em 09. ago, 2009 por Rev. Giuliano Coccaro em Boletim, Família, Reflexão

Cansei do meu próprio esgotamento. Abdico das pressões, das concessões e até das horas extras que faço em detrimento do meu próprio bem-estar. Pretendo reescrever a minha agenda de prioridade não relegando às notas de rodapé ou a caráter supérfluo o que deveria estar no cabeçalho da minha vida.

Cansei de entregar de mão beijada a atenção dos meus filhos à televisão, internet, celular e amigos. Mas também cansei de vê-los travando uma batalha desleal com minhas ocupações. Decido lutar por eles, mesmo que eu tenha que ferir mortalmente os meus sonhos. Não vou perdê-los para nada e ninguém, muito menos para Satanás. Por isso, quero estar mais perto de cada um. Sentar-me à mesa com eles será minha primeira providência.

Infelizmente perdi muito tempo com outras coisas a ponto de não entender no que estão se tornando e o que pensam. Diminuindo o distanciamento temporal entre eu e eles, vou caminhar no compasso veloz da tecnologia para saber mais sobre o messenger, orkut, blog e twitter…, ou seja, acerca do mundo virtual que alguns filhos e esposas imergiram de corpo e alma pelo açodamento das relações concretas em casa. Assim, anseio entrar nesse campo tecnológico a fim de conhecer o círculo de amizades do qual, tristemente, não faço mais parte.

Como pai, cansei de praticar a disfuncional arte de gritar para arrumar desajustes. Prefiro educar vivendo e agindo de acordo com aquilo que eu desejo que eles sejam. Cansei de tentar comprar carinho e substituir a ausência com presentes. Quero conquistar o amor diariamente e presentear minha família com meu próprio coração.

Cansei de achar que ser pai é fingir saber de tudo, sempre ter razão, e de lhes impor quando não a tenho. Aliás, cansei de tentar ser um herói que jamais fui ou serei. Seguramente, também não quero ser bandido. Longe de mim a responsabilização por corações feridos e traumatizados, principalmente dentro de minha casa. Serei, para tanto, mais permeável a sentimentos, mais reconhecedor de minhas falhas, mais educado, mais carinhoso, mais amável, mais amante e mais presente. Enfim, mais pai. Prontifico-me a ensinar aos meus filhos o vocabulário do amor e do perdão.

Cansei de me enganar acreditando que o meu relacionamento conjugal não influi na minha imagem de pai. Como pai, quero ser um grande esposo. Aprendi que ambas as funções andam ombro a ombro. Neste sentido, concordo com as palavras do padre Theodore Hesburgh: “A coisa mais importante que um pai pode fazer por seus filhos é amar a mãe deles”. Escolho ser um pai que não se curva à auto-suficiência machista de diminuir o papel de minha mulher ou que negligencia a liderança terna no lar.

Cansei de ser progenitor, não quero apenas possuir a importante missão de mero mantenedor. Desejo mais. Quero cumprir a missão da paternidade como a manifestação do próprio caráter de Deus. Ele é Pai. E eu também quero ser. Se possível, parecido com Ele.

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