Finda o crepúsculo e surge a Aurora
Publicado em 11. abr, 2009 por Rev. Giuliano Coccaro em Boletim, Reflexão
Alta madrugada de domingo, ao despontar do sol, num pano de fundo quase crepuscular, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, Salomé e outras mulheres decidem comprar aromas para embalsamar o corpo de Jesus, o nazareno que causara grande transformação em suas vidas.
Foi um percurso marcado por profundo medo, dor e tristeza. A vida do Mestre havia sido injusta e brutalmente ceifada pela inveja da cúpula religiosa de Israel. Por amor a Jesus, porém, elas enfrentaram o medo, irradiaram a coragem que os discípulos, trancafiados entre quatro paredes, esconderam. Os vigias do sepulcro e o imenso pedregulho não amansaram o ímpeto daquelas seguidoras incondicionais.
Ao se aproximarem dali um grande terremoto assolou o local, semelhante ao episódio após o último suspiro de Jesus na cruz. Guardas paralisados e pedra removida, os dois prováveis obstáculos ruíram sob o comando de um anjo do Senhor. E a notícia não tardou a vir: Por que buscais entre os mortos ao que vive? Jesus Cristo não estava mais lá. Havia rompido os laços da morte. Entretanto, a boa-nova foi inicialmente recebida com incredulidade pelas mulheres.
Pedro e João, alertados por Maria Madalena, correram ao sepulcro, constataram a veracidade dos relatos da ausência de Jesus, mas também voltaram outra vez para casa, acometidos pela ignorância coletiva da ressurreição. A razão mais plausível para o sumiço do corpo seria, quem sabe, uma conspiração daqueles que o crucificaram. A derradeira tentativa de sufocar de uma vez por todas qualquer respiração que desse fôlego aos ensinamentos de Jesus de Nazaré. Tentou-se com suborno e perseguição erradicá-los, inclusive, mas a verdade dos fracos emudeceu a mentira dos fortes.
A voz inconfundível de Jesus, que arde o coração de quem ouve, pôs um fim aos questionamentos de Maria Madalena, a quem primeiramente se manifestou. Depois, as marcas da paixão foram apresentadas aos discípulos, dissipando-lhes definitivamente as dúvidas sobre o sepulcro aberto. O lamento amedrontado transformou-se em júbilo destemido. O motivo da mudança: Jesus Cristo, o Autor da vida, ressurgiu! Fico imaginando a festa.
Os risos regados a lágrimas, os abraços apertados ao som de gratos louvores. Uma santa folia. O alívio em rever o Mestre amigo e a certeza consumada de que aquele não era mais um mártir judeu, e sim o Messias, o Deus conosco em carne e osso. Findou o crepúsculo e surgiu a Aurora. Afinal, tudo se concretizara. Ele ressuscitou! Por isso festejamos a Páscoa. Celebramos a Vida do Cristo que dissipou as trevas do nosso coração angustiado. Ele venceu a morte por amor a nós.
