A Tragédia do Inacabado

A Tragédia do Inacabado

Publicado em 10. fev, 2009 por Sergio Sparsbrod em Reflexão

Tomei emprestado o título deste artigo de uma palestra do renomado empresário Dr. John Haggai. Com voz forte e dinamismo de “um jovem de 80 anos”, Dr. Haggai desafiou um grupo de profissionais e empresários de vários países a considerarem os perigos das”obras inacabadas” em cada área de suas vidas.

Recentemente assisti ao vivo as imagens dolorosas, em todos os canais de televisão, mostrando a tragédia da queda de um avião comercial na cidade, com quase duas centenas de pessoas a bordo, sobre um local em que estive tantas vezes a negócio e onde tinha amigos de quem aguardava ansiosamente por notícias. Ao contemplar aquelas cenas de terror, veio à minha mente o eco da voz altissionante do Dr. Haggai: “Tenham cuidado com obras inacabadas”.

Noticiou-se que as obras de recuperação em uma das pistas do aeroporto, onde a aeronave tentou frustradamente pousar, estavam inacabadas. Enquanto considerava essa “obra inacabada” – bem como as obras por acabar dos que pereceram no acidente – pensei também nas inúmeras obras inacabadas na minha vida pessoal. O preço que tive de pagar para concluir algumas foi alto. Outras, até hoje luto para concluí-las.

Obras inacabadas!

Como evitar ser destruído por elas ou pagar alto preço por retardar sua conclusão? Philip Chesterfield foi muito preciso ao afirmar: “Tudo o que vale a pena ser feito merece e exige ser bem feito”. Por negligência, ineficiência, preguiça, medo, não querer sofrer ou fazer outros sofrerem, as obras inacabadas vão atapetando os caminhos de nossa existência. Ao referir-se à obra para a qual foi comissionado, Jesus Cristo declarou enfático: “Terminei a obra que me destes a fazer” (João 17.4). E antes de entregar o espírito Ele foi categórico: “Está concluído!” (João 19.30).

Vejamos algumas dicas para ajudar a evitar obras inacabadas:

Prestar contas a alguém.

Um amigo, mentor, pai, mãe ou cônjuge estão entre os que podemos prestar contas e assim evitar negócios inacabados. Porém, para ser efetiva, essa prestação de contas deve ocorrer regularmente. Abrir nossa vida particular e expor fraquezas que preferiríamos manter escondidas requer muita maturidade emocional. Sabedor da árdua tarefa que lhe coube de construir o Templo, Salomão recebeu este conselho do seu pai: “Esforça-te e tem bom ânimo, e faze a obra; não temas, nem te apavores; porque o Senhor DEUS, meu DEUS, há de ser contigo; não te deixará, nem te desamparará, até que acabes toda a obra do serviço da Casa do Senhor” (I Crônicas 28.20).

Manter diligência e foco.

Atividades do cotidiano colocam alta demanda sobre o nosso tempo. É o efeito multitarefa. Saber estabelecer prioridades e lidar com cada uma com diligência e foco requer sabedoria. Definitivamente Salomão aprendeu a lição: “O que é negligente na sua obra é também irmão do desperdiçador” (Provérbios 18.9).

Perseguir o fim com determinação.

Dois meses atrás comecei uma carta a um amigo que não via há mais de 30 anos e que soube que ele estava com câncer. Duas semanas depois meu amigo morreu. A carta ficou inacabada e sem ser postada. Ao lê-la chorei pensando na chance que perdi em oferecer encorajamento a alguém já no fim de seus dias. Obras inacabadas cobram preço alto e multa pesada. Procrastinar, ficar esperando por mais inspiração, por melhor momento, são meras desculpas. Deus nos propiciou exemplo perfeito desde o princípio: “E havendo DEUS acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito” (Gênesis 2.2).

Questões Para Reflexão/Discussão

  • Você já pensou sobre os riscos das “coisas inacabadas”, como dito pelo Dr. Haggai, sobre o alto custo de não concluir coisas importantes que começamos?
  • Consegue pensar em algo significante que neste momento permanece inacabado em sua vida, seja por procrastinação, pressão de demandas mais urgentes, ou outras razões? O que seria?
  • Que medidas você deve tomar para evitar cair no hábito de falhar em perseguir seus objetivos e intenções até que sejam concluídas?
  • Você acha que prestar contas a alguém pode ajudar a impedir um estilo de vida que favoreça “coisas inacabadas”? Você tem alguém no momento a quem sente-se disposto a prestar contas? Se sim, tem funcionado de forma efetiva para você? Se não, há alguém de quem você possa aproximar-se para ser seu parceiro de prestação de contas?
  • Nota: Se tiver uma Bíblia e gostaria de considerar outras passagens sobre o tema, veja os seguintes versículos: Mateus 21.28-30; Lucas 14.28-30; João 4.34-38; Atos 20.24; Filipenses 3.12-14; II Timóteo 4.6-8.

Texto de autoria de J. Sergio Fortes, advogado e consultor em transportes e membro do CBMC Brasil.

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