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Israel tenta recriar vinho dos tempos de Jesus

25/01/2016

A vinícola Recanati, de Israel, resolveu produzir um vinho com uvas locais que relembre bebidas consumidas por personagens bíblicos como o rei Davi e outros. O projeto é da Universidade Ariel, na Cisjordânia, que tem feito testes de DNA para identificar vinhos antigos e, assim, recriá-los.

“As nossas escrituras estão cheias de citações de vinhos e de uvas. Antes de os franceses começarem a pensar em fazer vinhos, estávamos exportando a bebida”, disse Eliyashiv Drori, enólogo da Ariel. “Temos uma identidade muito antiga e, para mim, reconstruí-la é importante. É uma questão de orgulho nacional.”

Acontece que o redesenvolvimento de castas locais enfrenta problemas políticos, pois as novas diretrizes de rotulagem polêmicas lançadas pela União Europeia exigem que os vinhos sejam produzidos em assentamentos israelenses, enquanto que os palestinos reivindicam a propriedade sobre essas uvas.

Além do problema sobre a terra, outro questionamento reacende a briga entre israelenses e palestinos: a busca por recriar esses vinhos reafirma as raízes judaicas da região.

“Como sempre acontece com os israelenses, eles declaram que o falafel, o tahini, o tabule, o homus e agora as uvas jandali são produtos de Israel”, reclama Amer Kardosh, diretor de exportação do Vale de Cremisan, que fica na região.

“Gostaria de informá-lo que esses tipos de uva são totalmente palestinos e crescem em vinhedos palestinos”, disse ele por e-mail.

Para o viticultor, Ido Lewinsohn as uvas estão puras de qualquer influência política.

“Não são israelenses; não são palestinas. Pertencem à região – e isso é algo bonito”.

Em Israel e na Cisjordânia foram descobertos lagares (recipiente onde se pisava o vinho na fase de preparação) que datam de tempos bíblicos, mas a produção de vinho se tornou ilegal porque os muçulmanos não permitem o consumo de bebidas alcoólicas. Então desde o século 7, quando eles conquistaram a Terra Santa, a produção de vinho foi paralisada.

Hoje há 350 vinícolas em Israel, que juntas produzem cerca de 65 milhões de garrafas por ano e agora os pesquisadores tentam criar um DNA para os vinhos israelenses.

Fontes: O Globo/Gospel +
Adaptação: Milton Alves




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