Religião e Mídia: Fique atento às coberturas tendenciosas

Religião e Mídia: Fique atento às coberturas tendenciosas

Publicado em 15. nov, 2009 por Rev. Giuliano Coccaro em Boletim, Ética

Preliminarmente, é necessário ressalvar que não acredito num plano midiático para acabar com o cristianismo. Até por que, no desenrolar desses dois milênios, já tentaram alijá-lo, só que sem êxito. Essa moderna teoria da conspiração religiosa formulada nas entrelinhas da luta entre Igreja Universal x Folha e Record x Globo é repleta de interesses econômicos e pontos no Ibope.

Não quero medir a culpa das igrejas evangélicas no desgaste das relações com a imprensa do nosso país. Há uma confluência de interesses nessa tensão que torna precipitada qualquer análise sumária da questão. Ambas são culpadas.

A guerra entre Folha e Universal teve mais um dos seus capítulos no dia 15 de dezembro de 2007, quando o jornal publicou reportagem da jornalista Elvira Lobato descrevendo as milionárias atividades do bispo Edir Macedo e seu império de comunicação. A denominação prontamente respondeu com suas armas midiáticas. No dia 11 de agosto e na quinta-feira passada, a manchete do diário paulista foi sobre a abertura de ação criminal pela Justiça contra dirigentes da Igreja Universal do Reino de Deus. Nas duas ocasiões, o jornal deixou de abordar aspectos fundamentais, como quais são os traços que distinguem as várias denominações evangélicas. O que evitaria acentuar a visão distorcida que há deste movimento religioso.

Em 14 de junho, realizou-se em São Paulo a Parada Gay. Na segunda, dia 15, o texto-legenda na capa chamou para três reportagens internas. Na véspera, haviam saído três matérias sobre o assunto. Dois dias antes, outras duas. Sobre a Marcha para Jesus, contudo, nada no sábado, no domingo e na segunda. A cobertura começou só quando o evento terminou. Ainda assim, a temática da matéria foi meramente depreciativa, enfocando a defesa do senador Marcelo Crivella em relação ao casal Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo.

Com muito mais de um milhão de pessoas – 6 milhões de acordo com a organização – a Folha Online informou: “Marcha para Jesus reúne 500 mil em São Paulo”. Clara intenção em ignorar ou minimizar o evento e o fenômeno religioso.

Seria interessante se a imprensa mostrasse o mesmo rigor em falar do movimento evangélico como a Folha se esmera em difundir a campanha pró-gay abraçada por grande parte da mídia. Na última segunda-feira, o jornal trouxe o seguinte título: “Pastores evangélicos gays irão assinar contrato de união estável no Rio”. E finalizou a matéria com a frase: “Os dois esperam abrir caminho para novas uniões entre pastores evangélicos”. Às vésperas da votação da Proposta de Lei Complementar 122/06, “lei da homofobia”, é uma notícia bastante sugestiva que beira ao ativismo homossexual.

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