O Mundo é a minha Paróquia

O Mundo é a minha Paróquia

Publicado em 15. fev, 2009 por Rev. Giuliano Coccaro em Boletim

O bispo anglicano John Wesley, precursor do movimento metodista, resumiu acertadamente nesta frase a visão cristã de mundo que ora ou outra me faz repensar e renovar o meu entendimento da sociedade como o campo de atuação da igreja e suas implicações.

Na terça-feira passada, reiniciando minhas aulas na faculdade, tive o desprazer de ouvir uma professora de Filosofia defender em sala de aula que as verdades são assim, sempre com um “v” minúsculo. Relativas e justificadas sob a corrente filosófica do pragmatismo: “se funciona para mim, então é verdade”. E os absolutos? Que se restrinjam às premissas teológicas das religiões.

O mais triste, porém, foi acompanhar a eufórica manifestação de apoio dos jovens alunos de jornalismo às pressuposições de um produto filosófico incoerente que nega o absoluto com o próprio absoluto. Passei o dia pensando seriamente na conversa que você pode estar cansado de ouvir: o mundo precisa de influências. Boas, é claro. O mundo precisa de cristãos engajados num projeto sério de estender as quatro paredes da igreja aos quatro cantos do mundo.

A minha proposta? Vejamos. Que Antropólogos e Sociólogos se permitam levantar a voz contra os constantes infanticídios – acobertados pela Funai – e rituais de canibalismo, mesmo em face da acusação de aculturação dos povos indígenas. Que Economistas dialoguem em favor de uma economia mais solidária, menos selvagem e egoísta. Buscando-se uma forma inovadora de remediar a crise ao invés de pensar exclusivamente em salvar da fome quem já está de barriga cheia. Que Empresários evitem expandir seus negócios com a exploração de funcionários, tratando-os com respeito e dignidade refletidos nos acordos salariais. Que professores não se envergonhem de aliar à mente acadêmica o coração cativo a Cristo e à Sua Palavra, sem depor a razão ou a fidelidade bíblica. Que Cientistas não sucumbam à tentação de se curvar ante a falsa autonomia científica e a dizer – conforme o ataque irônico do colunista da Revista Veja (n° 2098) André Petry ao criacionismo na matéria intitulada “Lembra-te de Darwin” – que misturar Deus e ciência é “deseducar e embrutecer o aluno” – leia a matéria aqui.

Resumindo, a sociedade precisa que você transforme a sua profissão, seja ela qual for, num chamado à responsabilidade social aliada ao exercício de uma santa vocação. Elas caminham juntas. Tem muita gente querendo discutir (ainda) o sexo dos anjos. Mas o mundo não quer saber disso.

Texto publicado no Boletim Dominical de 15 de Fevereiro de 2009.

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